Estamos mesmo no caminho certo?

Ainda é comum ouvirmos muitas críticas da sociedade em geral ao setor de papel e celulose, as ditas papeleiras. Passaram-se anos, e parece que todos os esforços para demonstrarmos as responsabilidades socioambientais do setor no Brasil são em vão. Por vários motivos, do desconhecimento à ideologia, continua o discurso de que consumir papel é algo maléfico ao meio ambiente.

Um equívoco que não poderia existir, sobretudo no Brasil, país referência mundial em boas práticas, eficiência no aproveitamento dos recursos naturais e inovação no setor. Apesar de todos os esforços em comunicação, informação e campanhas, muitas vezes perdemos a corrida para a desinformação. Ainda vemos secadores de mãos em shoppings com dizeres de que a redução de uso de papel preserva a natureza, ignorando o fato de que cada árvore foi plantada para esse fim.

Foto: divulgação

E, obviamente, sem mencionar que parte daquela energia dita como mais amigável ao meio ambiente é gerada em termelétricas abastecidas com fontes fósseis. Essa questão é crônica e vem de lá de trás, da época em que o setor se fechou e não foi competente para divulgar seus avanços tecnológicos industrias, de manejo florestal, de pesquisa e desenvolvimento. Com esses avanços, o setor hoje é tido como um dos mais conservacionistas do agronegócio. Digo agronegócio porque somos uma indústria de base renovável que planta árvores para serem colhidas, como se planta qualquer outra cultura.

Fato é que também plantamos cada uma das árvores que posteriormente será transformada em celulose, papel, fluff, energia e em insumos para uma indústria química verde, para citar apenas alguns exemplos. Plantamos e colhemos – e plantamos novamente – porque nossos produtos ajudam a promover a educação, a cultura, a higiene, o conforto e o bem-estar das pessoas. Apesar disso, parece que erramos o tom da comunicação. Em um momento da história no qual o mundo se questiona sobre o futuro dos canudos plásticos, ainda temos dificuldades em explicar o quão diferente é a nossa indústria de base renovável.

Podemos atribuir parte desse estigma ao fato de denominarmos nossa atividade como “floresta” e que, no inconsciente coletivo e na desinformação, imagina-se como sendo “florestas nativas”. Por isso é extremamente comum ouvirmos frases de espanto após explicarmos que produzimos com madeira oriunda de árvores plantadas para esse fim.

Diante disso, devemos nos contentar com essa situação ou devemos fazer algo diferente? Podemos listar inúmeros avanços e benefícios que, quando conhecidos e compreendidos, mudariam a opinião de qualquer pessoa que venha a pensar de forma equivocada ou enviesada. Temos, hoje, uma indústria muito mais eficiente e muito menos poluente do que 20 anos atrás. Eficiente em todos os aspectos: no uso de água, no tratamento de efluentes, no consumo e no aproveitamento de químicos, na emissão de gases de efeito estufa, na produção e na destinação de resíduos, dentre outros.

Também avançamos na área florestal, através de um amplo programa de pesquisa e desenvolvimento, o qual proporciona ganhos ambientais, que vão da conservação de solos e de recursos hídricos até a produção de materiais genéticos mais produtivos e eficientes. Um fator de suma importância para atender a uma demanda crescente por produtos de madeira no mundo.

Essa agenda demonstra a preocupação das empresas com a sustentabilidade do negócio, no qual se tem como um dos maiores patrimônios a natureza. Justamente por isso investimos tanto em pesquisas para manutenção e recuperação das áreas nativas. A partir delas, produzimos conhecimentos que podem ser replicados e contribuem diretamente para o atingimento da meta que o Brasil assumiu na COP21, de restaurar 12 milhões de hectares até 2030.

No campo social, os avanços também são inúmeros e mereceriam um texto exclusivo. São práticas modernas que promovem os processos participativos, com o intuito genuíno de desenvolvimento territorial, onde a melhoria da qualidade de vida das comunidades influenciadas pelo nosso negócio é cada vez mais importante.

Somente por meio desses esforços conjuntos e de um posicionamento adequado, a sociedade passará a olhar o setor com outra percepção e passará a gerenciar suas escolhas em função de inúmeros benefícios sociais e ambientais que tem por trás de cada embalagem, caderno, livro, móvel, papel higiênico, fralda, dentre outros. O importante é sermos verdadeiros e não termos medo de abrir nossas portas para aqueles que querem ter informações para opinarem de forma apropriada e deixarem de lado preconceitos estabelecidos ou criados em função da desinformação.

Alexandre Di Ciero é gerente executivo de Sustentabilidade da Suzano Papel e Celulose. 

Atigo originalmente publicado na Revista Opiniões