O desafio da disponibilização sustentável de novas biomassas para a produção de biocombustíveis de aviação

A demanda energética mundial, apesar das inúmeras alternativas que vem surgindo como a energia eólica, a solar, a energia da biomassa, entre outros, é ainda quase que totalmente dependente dos combustíveis de origem fóssil. O desafio para se conseguir diversificar as fontes de energia e, ainda assim, garantir a sustentabilidade ambiental e econômica com redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), entre outros impactos sobre o ambiente, não é um desafio trivial. Entre os setores preocupados com a sua contribuição para a emissão de GEE está o setor de Aviação que contribui hoje com cerca de 2% das emissões provocadas pela atividade humana e há previsões de que até 2030 as emissões atinjam a casa dos 3%, podendo atingir níveis ainda maiores até 2050 se nenhuma ação for tomada no sentido de reduzir tais emissões.

Entretanto, recentes ações do setor de transporte aéreo têm mostrado claramente a sua preocupação com este cenário e, por iniciativa do próprio setor, está se propondo uma meta de redução nas emissões de dióxido de carbono de 50% até o ano de 2050. Para atingir esta meta o setor vem investigando o potencial de uso de combustíveis provenientes de fontes alternativas como a utilização de biomassas vegetais oleaginosas para produção de bioquerosene, objetivando a substituição do querosene (fóssil) de aviação por aquele biocombustível. A principal vantagem do bioquerosene, produzido a partir de biomassa, sobre o querosene de origem fóssil, é que o primeiro é responsável por emissões muito menores que o último. O dado real de redução nas emissões pela adoção de biocombustíveis, obviamente, irá depender de qual matéria prima será utilizada, bem como de qual processo de conversão será adotado para a sua produção. Outra questão que se torna um desafio para o setor é a necessidade de que o bioquerosene seja do tipo “Drop in”, ou seja, que este combustível seja produzido de forma a ser utilizado pelo setor sem a necessidade de mudanças nos componentes das aeronaves (motor, tanque de combustível, tubulações etc). Adicionalmente, tem sido dada ênfase à produção do chamado diesel verde que é produzido através de hidrocraqueamento de matérias-primas biológicas, tais como óleos vegetais e gorduras animais. O processo de hidrocraqueamento é um método que usa elevadas temperaturas e pressão, na presença de um catalisador, de forma a quebrar moléculas maiores como os óleos vegetais, em cadeias de hidrocarbonetos mais curtos utilizados em motores a diesel. O diesel verde também pode ser chamado de diesel renovável e tem as mesmas propriedades químicas do diesel proveniente de fontes fósseis, mas não tem sido produzido a um custo que seja competitivo com o diesel produzido a partir de petróleo.

                                                                                    Foto: divulgação

Recentemente, Pesquisadores da Unicamp juntamente com representantes da Embraer e da Boeing organizaram, com apoio da Fapesp, um estudo (Road Map) para avaliar quais os desafios e perspectivas que o Brasil tem em termos tecnológicos, logísticos, econômicos, de políticas públicas e de sustentabilidade ambiental para adoção e produção de biocombustíveis de aviação no País. A partir deste estudo foi produzido um documento denominado PLANO DE VOO PARA BIOCOMBUSTÍVEIS DE AVIAÇÃO NO BRASIL: PLANO DE AÇÃO que mostra claramente o potencial e os desafios para a produção destes biocombustíveis no Brasil. A partir dos aspectos levantados neste estudo ficou claro que ainda existem consideráveis desafios a serem vencidos, entre eles, poucos processos para produção de bioquerosene disponíveis bem como poucas matérias primas disponíveis para uso na produção, apesar da existência de inúmeras culturas que se prestam à sua produção, mas que não estão preparadas para fornecimento dos volumes necessários. É neste ponto que o papel da Embrapa se torna relevante.

Guy de Capdeville é chefe geral da Embrapa Agroenergia. 

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