MENU
Qual é o modelo de transporte que queremos para o futuro?

Como um país de dimensões continentais, o Brasil possui um desafio gigantesco para estruturar um modelo de transporte – seja ele de pessoas, mas principalmente de cargas – que se constitua efetivamente sustentável.

No campo das ideias, o mundo ideal voltado à frota de veículos pesados passa por modelos equipados com motores híbridos e que utilizem o etanol como combustível alternativo; rotas otimizadas que atendam mais clientes em seu percurso; otimização da alocação de cargas nos caminhões e transferência modal de transporte, que serviriam para minimizar a dependência de nossa malha rodoviária, em detrimento dos meios ferroviário, hidroviário e até o aeroviário (mesmo sendo o mais caro de todos). É justamente nesse ponto que o mundo idealizado deixa de existir e passamos a enfrentar a vida real.

Algumas iniciativas caminham para essa realidade, por exemplo, nos veículos de grande porte, existem montadoras que já desenvolveram caminhões e ônibus movidos a gás natural e que podem também funcionar com biometano. Essa é outra fonte importante de energia, derivada do biogás e que, por sua vez, é obtida a partir da decomposição de produtos ou resíduos orgânicos, como o lixo. Outra vantagem expressiva é que o biometano apresenta índices menores de emissão de poluentes atmosféricos, quando utilizado em veículos automotores, em comparação a outros combustíveis fósseis, como o diesel. Seria o combustível ideal para abastecer frotas de ônibus que poderiam circular principalmente em grandes centros urbanos ao mesmo tempo que potencializa a economia circular e aprimora o cumprimento da Lei dos Resíduos Sólidos.

Nesse mesmo sentido caminham combustíveis renováveis como o etanol e o biodiesel. Mas para que sua utilização seja realmente uma alternativa viável e atrativa no cenário brasileiro, há a necessidade de uma política de governo clara e vantajosa a esses combustíveis sustentáveis que garanta, por exemplo, o abastecimento do mercado em escala nacional. 

Márcio D´Agosto é graduado em Engenharia Mecânica e de Automóveis e mestre em Engenharia de Transportes pelo Instituto Militar de Engenharia (1989 e 1999). Doutor em Engenharia de Transportes pela COPPE/UFRJ (2004). É consultor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Ministério de Ciência e Tecnologia e avaliador da área de Engenharias I na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) do Ministério da Educação e Cultura.