FSC como instrumento para a conservação da biodiversidade

O Brasil tem um enorme desafio de mostrar que pode liderar, mundialmente, a preservação da biodiversidade, ao mesmo tempo que promove o desenvolvimento econômico e respeita demandas sociais. Há 25 anos, o FSC trabalha para promover o manejo florestal responsável, contribuindo para o cuidado com o nosso planeta, a geração de riquezas e um futuro sustentável para as comunidades.

As florestas têm uma importância enorme para o meio ambiente e para a nossa própria sobrevivência na Terra. E o Brasil, o mundo inteiro sabe, é um país riquíssimo em recursos naturais. Tanto nossas empresas quanto nossos governos precisam encarar a biodiversidade como uma forma de gerar valor agregado; e, por outro lado, a sua perda como verdadeiro prejuízo.

Aline Tristão Bernardes é diretora executiva do FSC Brasil.
Foto: Divulgação

Nesse sentido, o manejo responsável das plantações florestais, que faz parte dos princípios e critérios do FSC, é uma estratégia que reforça a integração entre o uso sustentável da paisagem e a conservação dos recursos naturais que, sem dúvida, têm um valor incomparável e uma riqueza insubstituível, e estariam em maior perigo se não fossem as políticas de sustentabilidades aplicadas pelas empresas certificadas pelo FSC. Um dos grandes benefícios das plantações florestais, portanto, é diminuir a pressão sobre as florestas naturais.

No Brasil, o setor de florestas plantadas tem um papel fundamental na implementação da agenda ambiental. Atualmente, o País possui 7,84 milhões de hectares de árvores plantadas, sendo que 5,8 milhões de hectares são certificados na modalidade manejo florestal, garantindo inúmeros benefícios socioambientais. De acordo com dados da Indústria Brasileira de Árvores - IBÁ, para cada um hectare de florestas plantadas, conserva-se 0,7 hectare de mata nativa. Em áreas de empresas certificadas, já foram avistados 41% de aves e 38% de mamíferos ameaçados de extinção, como lobo-guará, muriqui, puma, mico-leão-preto e papagaio-chorão.

O modelo brasileiro de cultivo em mosaicos é referência e replicado por outros países. Nele, as florestas naturais se intercalam com as plantadas produtivas, criando corredores ecológicos que favorecem a circulação de diferentes espécies, mantendo os habitats naturais para animais, plantas e microrganismos, garantindo alimentação e abrigo. As plantações atendem a uma demanda crescente por produtos florestais e promovem a conservação de um patrimônio natural que talvez não existisse mais em alguns biomas. O consumidor brasileiro precisa ter a certeza que ao consumir, por exemplo, papel, a matéria prima não virá de florestas nativas ou de florestas que não atendam à legislação social e trabalhista.

A certificação FSC trata da melhoria de processos para a conservação e uso responsável dos recursos ambientais; da manutenção de áreas de alto valor de conservação e também da redução do impacto negativo da atividade florestal sobre o meio ambiente e sobre as comunidades que vivem e trabalham nas áreas operadas pelas organizações certificadas. O desenvolvimento sustentável engloba aspectos sociais, ambientais e econômicos, que são os pilares do processo da certificação FSC. É preciso ter como base uma abordagem holística, integrando o diálogo, a transparência e o engajamento dos diversos atores para o desenvolvimento de processos de melhorias constantes.

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