Julho de 2018: bioeletricidade equivalente a 30% do consumo de energia em SP

Em juldivulgaçãB8, a fonte biomassa atingiu uma produção de 3.556 GWh para a rede, equivalente a 8,1% do consumo total do país de energia elétrica naquele mês ou a 30% do consumo total de energia elétrica pelo Estado de São Paulo, de longe o maior consumidor no país, respondendo sozinho por 26% do consumo de energia elétrica no Brasil em julho passado.

As informações são de levantamento preliminar da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Segundo a CCEE, a geração e o consumo em julho de 2018 registraram aumento de 3,8% e 3,3%, respectivamente: crescimento influenciado pelas altas temperaturas observadas no Sudeste em relação ao mesmo período do ano anterior.

No acumulado, de janeiro até julho de 2018, a fonte biomassa já gerou para o Sistema Interligado Nacional (SIN) o total de 14.048 GWh, equivalente a 4,5% do consumo total do SIN no período. Em relação ao mesmo período de 2017, a geração acumulada pela biomassa para o SIN, de janeiro a julho de 2018, representou um aumento de 13%.

Foto: divulgação

Atualmente, as condições hidrológicas desfavoráveis e a redução no nível de armazenamento dos principais reservatórios do SIN trouxeram como consequência a manutenção da Bandeira Tarifária Vermelha (patamar 2) e do preço da energia elétrica no mercado de curto prazo (PLD) no valor máximo estabelecido pela ANEEL, de R$ 505,18/MWh por várias semanas.

Em contraponto, é justamente no período seco e crítico do setor elétrico, que a bioeletricidade sucroenergética costuma entregar mais de 80% de sua geração anual para o SIN. De janeiro a julho de 2018, do total ofertado pela fonte biomassa ao SIN (14.048 GWh), 85% da geração foram concentrados entre abril e julho, demonstrando sua posição estratégica para o suprimento de energia ao país.

Em julho de 2017, a energia armazenada (EAR) nos reservatórios do submercado elétrico Sudeste/Centro-Oeste era de 38,16% de sua capacidade e, ao longo do período seco, os reservatórios foram sendo esvaziados chegando a somente 17,61% de sua capacidade em outubro de 2017. Em julho deste ano, a EAR no submercado SE/CO estava em apenas 34,43% e, no início de agosto, está inferior a 34%.

Em 2017, potencial técnico da bioeletricidade sucroenergética para a rede foi aproveitado em somente 15% de seu total. Ou seja, em 2017 a geração de bioeletricidade poderia ter sido quase sete vezes superior à produção efetiva de 21,4 mil GWh à rede ano passado.

Cenários de escassez de água nos reservatórios das hidrelétricas parecem ter virado a normalidade e a fonte hídrica ainda detém 64% da capacidade instalada em geração no país, resultando em uma conta final cada vez mais pesada junto ao consumidor. Assim, dado o potencial subaproveitado da bioeletricidade, incentivar fontes como a biomassa deve ser a função-objetivo dos agentes formuladores da política energética no país, com uma política setorial estimulante e de longo prazo para a bioeletricidade, com diretrizes claras e de continuidade, buscando garantir o pleno uso eficiente deste recurso energético renovável na matriz de energia do país.

Zilmar José de Souza é gerente de Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Artigo originalmente publicado no site da Udop em 07/08/18.

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