Por que a honestidade é a melhor política quando se fala sobre os ODS?

Os desafios ambientais, sociais e econômicos que enfrentamos estão todos conectados. Isso é reconhecido pelos 17 objetivos e 169 metas daqueles que são conhecidos como Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Cobrindo uma gama diversificada de questões, incluindo a igualdade de gênero, cidades sustentáveis, acesso à água potável e boa governança, os objetivos tornaram-se palavras de ordem. Na medida em que sua popularidade aumenta, há risco de fazer "greenwashing". Para evitar isso e alcançar os ODS até 2030, as empresas precisam ser transparentes, avaliar e reconhecer onde podem impactar - não apenas positivamente, mas também onde existe possibilidade de impacto adverso.

Mario Abreu é vice-presidente de Sustentabilidade da Tetra Pak.
Foto: Divulgação

É importante que as empresas compreendam sua contribuição para as metas conforme relatam, mas não é suficiente relatar um progresso positivo em torno de um ou dois ODS, ignorando os impactos negativos em outras metas. Empresas que fabricam painéis solares é uma bom exemplo. Eles podem alegar que estão contribuindo positivamente para a inovação (ODS 9) e ação climática (ODS 13), mas se não levarem em consideração suas operações completas estarão contando apenas metade da história. Neste caso, os materiais utilizados para criar os painéis podem impactar a terra (ODS 15) e os resíduos que estão gerando podem contaminar a água (ODS 14). Esta falta de transparência é um problema sério e aumenta significativamente o risco de "lavagem verde."

Em última análise, as soluções também só funcionarão em conjunto. Por isso, nossa abordagem à sustentabilidade engloba toda a cadeia de valor, indo além das nossas próprias operações e dos nossos clientes. O time Tetra Pak se compromete a apoiar as 17 metas e, em 2017, passamos oito meses em uma rigorosa avaliação de materialidade identificando e priorizando os aspectos de nossos negócios que poderiam ter os maiores impactos econômicos, ambientais e sociais e/ou que poderiam influenciar substancialmente as decisões das partes interessadas.

Para fazer isso, seguimos um processo de quatro etapas: primeiro identificamos as partes interessadas (funcionários, clientes, consumidores, principais influenciadores, reguladores, fornecedores e Organizações Não Governamentais - ONGs) e nos próximos anos também envolveremos comunidades, recicladores e a mídia. Em seguida, identificamos os aspectos materiais. Analisamos esses aspectos na cadeia de valor, tanto nos materiais de embalagem quanto no equipamento. Por meio de uma série de workshops, entrevistas e pesquisas, priorizamos esses aspectos e, como etapa final, nossa matriz de materialidade (mapeada com a influência dos eixos nas decisões das partes interessadas e importância dos impactos na Tetra Pak) foi validada pelo nosso Conselho de Estratégia.

No final, identificamos que desperdício de alimentos, design da embalagem e o uso de energia são três dos 14 aspectos materiais de maior impacto que podemos causar como empresa. Simultaneamente, eles nos ajudam a fazer uma contribuição direta para os ODS 2 (fome zero), 12 (produção e consumo responsáveis) e 13 (impacto climático). A cada dois anos, vamos reavaliar nossos principais aspectos materiais para identificar possíveis lacunas e mudanças que precisam ser refletidas - e ajustar devidamente a nossa estratégia de negócios.

Considerar o lado externo é sempre útil. Um exemplo foi a colaboração que fizemos com o Instituto Cambridge de Liderança em Sustentabilidade (CISL). O instituto tem um programa chamado Rewiring The Economy, que ajudou a converter os ODS em tarefas que poderiam ser lideradas por empresas, governos ou instituições financeiras. A Tetra Pak foi convidada a participar de um relatório do CISL, por ser um exemplo de empresa que compreendeu o imperativo comercial de cumprir os ODS. Em outras palavras não fazer isso apenas porque é certo, mas porque pode trazer benefícios para os negócios.

Nos meus 19 anos na Tetra Pak, a sustentabilidade sempre esteve no centro de nossa promessa de proteger alimentos, pessoas e futuro. Ou seja, não somos novos nisso, estamos analisando a ciência do meio ambiente há décadas - mas o alinhamento com os ODS nos permitiu expandir e evoluir nossa abordagem. Recentemente, publicamos nosso Relatório de Sustentabilidade de 2018 marcando 20 anos de relatórios. Ao longo dos anos, nosso foco mudou de um compromisso ambiental para avaliar todas as partes do negócio e seu impacto.

Por fim, reconheço que integrar a sustentabilidade à estratégia de um negócio não é fácil, mas acreditamos que seja essencial. Embora fundamentalmente seja responsabilidade dos governos garantir a implementação dos ODS em nível nacional, os objetivos não serão alcançados sem uma ação significativa das empresas. São as empresas que impulsionam crescimento econômico, emprego e atuam como fonte de inovação sustentável. Basicamente, como as empresas se sentem mais pressionadas do que nunca para defender sua sustentabilidade e aderir estruturas como os ODS, é importante dizer a verdade. Reconhecendo os bons e maus, juntamente com um plano de ação para transformar os negócios usando os ODS como roteiro.

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