Por que precisamos expandir a reciclagem do cobre na metalurgia brasileira?

O cobre, um dos metais mais antigos e mais utilizados no Planeta, pode ser 100% reciclado, sucessivas vezes, operação que resulta em muito relevante economia de energia e símbolo de sustentabilidade. Os custos de mineração estão subindo à medida que a concentração desse elemento no minério se reduz e as necessidades de escavações para suas extrações aumentam. Um forte planejamento deve ser desenvolvido para que se intensifique a reciclagem de produtos de cobre. Não há dificuldade tecnológica, pelo contrário as indústrias de transformação assim como os centros recicladores, tornam-se cada vez mais capazes nessas operações. Atualmente os mais diferentes componentes, elétricos, eletrônicos, peças em cobre, latão, bronze e outras ligas são recicladas com enormes vantagens econômicas e ambientais.

Segundo dados da Pro Cobre, das 24 milhões de toneladas de cobre utilizadas globalmente, somente cerca de 35% provém de material reciclado (Gloser, 2013). Ainda existe um imenso campo a ser explorado com ganhos para o meio ambiente, empresas e consumidor final. A reciclagem do cobre ajuda a suprir a demanda anual do minério, preserva recursos naturais valiosos, economiza energia e reduz as emissões de CO2. Por mais que o cobre ainda seja um metal presente em reservas naturais, a reciclagem é fundamental para continuar garantindo sua disponibilidade.

Impactos da reciclagem na economia e produtividade das indústrias

A economia de energia e a preservação do meio ambiente são os principais fatores pelos quais a reciclagem é tão importante. Mas é fundamental destacar que não existe nenhuma perda de qualidade ou desempenho no material, o que dificilmente acontece em outros processos de reciclagem. Na Europa, por exemplo, mais de 40% das necessidades de cobre são supridas pela reciclagem e não existe nenhuma diferença entre o material reciclado e o metal obtido da mineradora.

A indústria da reciclagem de cobre pode recuperar em sua totalidade o cobre utilizado, criando muito pouco ou nenhum lixo residual. A economia garantida nesse processo é de 85% em relação à extração. Outra enorme vantagem desse processo é evitar as despesas da fase de redução do minério a metal, que envolvem um alto consumo de energia e transporte de grandes volumes. Por aqui ainda enfrentamos o obstáculo da comercialização de resíduos, o que torna necessário um trabalho intenso de regularização para essas operações com sucata.

A necessidade de um novo modelo e expansão da reciclagem

Inovar nesse processo é fundamental para aumentar a vida útil do cobre, além de ampliar os rendimentos nos processos de reciclagem industrial. Se faz necessário o incentivo, tanto público, quanto das próprias empresas, a inclusão da recuperação e reciclagem no processo produtivo das indústrias, para ampliar a produção com base em reciclagem, criando condições mais seguras de trabalho e gerando redução de custos simples, como as de consumo de energia e de água. O investimento vai possibilitar também que as empresas, dando foco em reciclagem com o cobre, desenvolvam o processamento de outros metais mais complexos e invistam em pesquisa e desenvolvimento.

É fundamental pensar em um novo modelo de indústria sustentável, ambiental e economicamente, para que os recursos sejam aproveitados em benefício de todos. Como o cobre é um dos metais mais utilizados no mundo, investir no seu processo de reciclagem é também garantir a manutenção do ecossistema, além de abrir caminho para inovações e maneiras de pensar a indústria e, principalmente, a metalurgia no Brasil e em todo o mundo.

Miguel Angelo de Carvalho é CEO da Cecil e Elfer. 

 

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