Uma reflexão sobre a descarbonização dos transportes

Eletromobilidade, conectividade e mobilidade urbana foram os três principais assuntos apresentados durante o 30º Salão do Automóvel, realizado em São Paulo. Como consultor de tecnologia e emissões automotivas, na minha visão, essas características são extremamente importantes para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono no setor de transportes para os próximos 10 ou 20 anos.

Todos entendem que o mundo está caminhando para mitigar as mudanças climáticas e que o setor de transportes é um dos responsáveis por esses efeitos. Mas acredito que o Brasil tem uma grande vantagem competitiva sobre alguns desses pontos em relação a outros países: temos os motores flex e os biocombustíveis.

Alfred Szwarc é consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
Foto: Divulgação

Segundo dados divulgados pela Unica, o consumo de etanol no Brasil, desde 2003, proporcionou uma redução superior a 500 milhões de toneladas de CO2, ou seja, emissões que equivalem a quase 840 milhões de viagens de caminhão entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

A indústria automotiva tem investido em pesquisa e desenvolvimento para garantir maior eficiência nos motores, menor consumo de combustíveis e menor emissão de gases causadores do efeito estufa. Portanto, é fato que os carros híbridos e elétricos vieram para ficar, mas também é verdade que o etanol contribuirá para seu avanço, a exemplo dos carros elétricos movidos a células de combustível e dos híbridos flex. Afinal, políticas públicas como o RenovaBio e o Rota 2030 colocarão o Brasil no caminho da descarbonização dos transportes.

Acredito que nosso maior desafio está em transformar o transporte público e a frota de cargas menos dependentes dos fósseis. Embora existam pesquisas e projetos nesse sentido, faltam políticas públicas para incentivar investimentos privados. Será possível, no futuro, usufruirmos ônibus municipais e caminhões com sistemas híbridos a etanol, elétricos ou os exclusivamente a etanol ou a biogás.

E sob esse conceito mais sustentável é onde habita a gestão pública de cidades inteligentes, pela qual é possível organizar, entre os diversos serviços, o de transporte garantindo um ambiente menos poluente e mais saudável para a população.

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