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Encontro do G7 termina com EUA oficialmente isolados na questão climática

A reunião dos Ministros do Meio Ambiente do G7 que encerrou no ultimo dia (12), em Bolonha, na Itália, resultou em uma declaração sobre as mudanças climáticas que não incluiu os Estados Unidos.  Além de deixar clara a integridade do Acordo de Paris sobre o clima, o comunicado do G6 reforça o isolamento dos Estados Unidos em questões ambientais e a nova liderança do bloco europeu.

"Esta divisão sem precedentes sobre as mudanças climáticas na reunião dos ministros do meio ambiente do G7 é outro sinal claro de que o resto do mundo está avançando com as ações necessárias para enfrentar a crise climática, apesar da decisão do presidente Trump de retirar os EUA do Acordo de Paris”, analisa Alden Meyer, diretor de Estratégia e Politicas da Union of Concerned Scientists, dos Estados Unidos. “Vale lembrar que recentemente uma ampla coalizão de prefeitos, governadores e líderes empresariais dos EUA assumiu o compromisso de cumprir as metas climáticos do Acordo mesmo sem o apoio do governo federal. Estes são sinais inequívocos do crescente isolamento do presidente Trump sobre o clima e questões de energia limpa, tanto no país como no exterior”, completa.

O texto final da declaração dos Ministros de Meio Ambiente das seis nações do G7 incluiu 18 parágrafos dedicados exclusivamente ao acordo climático global e afirma que  "O Acordo de Paris é irreversível e sua total integridade é fator-chave para a segurança e a prosperidade deste planeta".  O texto também destaca que este é o único instrumento para a cooperação internacional em escala global em mitigação e adaptação ao clima e em cooperação com atores subnacionais e não estatais.

Os Estados Unidos foram excluídos dessa declaração por meio de uma nota de rodapé apresentada pelo representante norteamericano – Scott Pruitt, diretor da EPA, a Agência de Proteção ao Ambiente. Pruitt deixou a reunião cedo, antes que as outras seis nações do G7 apresentassem suas posições em favor do acordo climático global.

"Paris não é negociável e a liderança demonstrada pelos países do G6 para fazer o acordo avançar rapidamente, junto com cidades, Estados e empresas nos EUA, é fundamental”, declarou Jennifer Morgan, Diretora Executiva do Greenpeace International.  “Os líderes reais podem e devem cumprir as promessas de energia limpa de uma maneira que seja equitativa e que fortaleça as comunidades. Agora é hora de os países do G6 combinarem suas palavras com ações e anunciarem como aumentarão sua ambição climática na reunião do G20 ".

A declaração do G6 exorta seus membros a acelerar a transição para economias de baixa emissão de carbono, resilientes ao clima e eficientes em termos de recursos, irreversíveis; Alcançar a transformação do setor de energia até 2050;? Reafirmar seu compromisso com o financiamento climático de US$ 100 bilhões e incentivar todos os potenciais fornecedores de finanças a participar. Além disso, incentiva firmemente todos os países a ratificarem o Acordo (em um claro recado para a Rússia de Putin e ela destaca ainda que o Acordo de Paris e a Agenda 2030 estão inextricavelmente ligados e atores subnacionais e não estatais têm papel essencial.

Nessa declaração, o grupo também reafirmou o compromisso de eliminar os subsídios ineficazes de combustíveis fósseis até 2025 e, entre outros destaques, reconhece o impacto das mudanças climáticas e da degradação ambiental na produção agrícola e segurança alimentar da África, na disponibilidade de água, bem como na estabilidade e crescimento econômico na região.