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Helsingborg: um modelo voltado para a economia circular

A região do município de Helsingborg, no sul da Suécia, tem se destacado por uma estratégia diferente de avançar na gestão de resíduos, utilizando-se de parcerias para fomentar a economia circular. A NSR, empresa de resíduos da região, articulou um cluster de empresas, cada qual com sua especialidade, para trabalhar no sentido de uma otimização do fluxo de materiais da economia circular: o Vera Park. O caso será apresentado pelo Presidente da NSR, Kim Olsson, no Brazilian Circular Economy Congress, dia 12 de dezembro de 2017 e a Página Sustentável oferece uma amostra do conteúdo que será contemplado pelo executivo nessa entrevista exclusiva.

 

Kim Olsson, presidente da NSR vai apresentar o case de Helsingborg na Brazilian Circular Economy Conference

 

PS. As taxas de reciclagem e de recuperação energética representam quase metade cada do tratamento de resíduos na Suécia. Só menos de 1% é aterrado. Quais são os fatores fundamentais para os Gerenciamento de Resíduo ser tão bem sucedido no país?

KO. A chave do sucesso são os investimentos em sistemas de aquecimento e esfriamento centralizados (District heating/cooling) que antigamente eram baseados em carvão, mas com as taxas nacionais de emissões de dióxido de carbono precisaram ser baseados em fontes renováveis. Os resíduos são definidos na Suécia como uma fonte que não contribuem adicionalmente com as emissões de CO2 – é uma visão única na Europa. O aterramento de resíduos que possam ser usados como combustíveis é proibido.

PS. Mesmo com esse sucesso o país está trabalhando pesado para melhorar ainda mais a gestão de resíduos. Por quê?

KO. O país quer avançar para os patamares mais altos da hierarquia dos resíduos e para tanto empenha esforços tanto na reciclagem de embalagens, sob regime da responsabilidade do produtor, como no aumento da separação e tratamento de resíduos orgânicos. De acordo com as metas atuais do país, 50% dos resíduos alimentares devem ser reciclados de modo que retornem nutrientes para a agricultura na forma de biofertilização, até 2018.

PS. Vera Park faz parte desse esforço e é diferente por buscar parcerias ao invés de ser uma iniciativa exclusivamente do estado. Você pode falar um pouco da experiência?

KO. Para alcançar o circuito fechado no ciclo de materiais estabelecido pelo conceito de economia circular são necessárias diferentes lógicas e expertises em negócios extremamente diferentes – algo mais difícil de ser alcançado sob comando centralizado. Vera Park é uma plataforma para diferentes companhias, com diferentes especialidades, poderem fazer dinheiro focados no reaproveitamento contínuo dos materiais de uma forma eficiente e podendo compartilhar competências umas com as outras.

PS. Outras empresas na Suécia resolveram cuidar diretamente de todos os processos e estágios na gestão de resíduos. Quais as limitações disso?

KO. A própria competência e perspectiva de um único ator pode ser um limitador das possibilidades. Outros atores podem apresentar perspectivas e competências que ofereçam formas mais eficientes de se alcançar uma gestão dos materiais mais apropriadas ao conceito de economia circular. A unicidade de ponto de vista pode ser um limitador das soluções disponíveis.

PS. Quais os resultados alcançados com a estratégia baseada em parcerias?

KO. Atualmente temos as menores tarifas e os melhores indicadores ambientais da Suécia..

PS. Você acha a experiência da região de Helsingborg replicável para outras cidades e outros países?

KO. Com certeza!

PS. Quais os principais conselhos que você daria para um gestor do setor de resíduos sólidos urbanos?

KO. Construir conhecimento e estabelecer relações estratégicas com as universidades. Identificar os ciclos de materiais da região, as possíveis empresas parceiras e as oportunidades locais, bem como as formas de aumentar a lucratividade das empresas sob a perspectiva da economia circular. O fundamental é sempre pensar regionalmente!"