91% de gestores acreditam que empresas aplicam conceitos de economia circular, aponta pesquisa

Pesquisa realizada pela Fundação Espaço Eco (FEE) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que, para 91% dos gestores e especialistas de sustentabilidade, as empresas aplicam conceitos da economia circular, que prevê o aumento de vida útil de produtos e materiais. No entanto, para 71% dos entrevistados, esses esforços concentram-se na recuperação de recursos, como a reciclagem. Outros 14% destacam que há iniciativas de uso de insumos que podem ser ou foram restaurados, 7% disseram que há foco na oferta de serviços por meio de produtos e 7% trabalham com inovações que aumentam a vida útil dos produtos.

De acordo com o gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, a economia circular não deve se restringir apenas à reciclagem, pois é uma agenda estratégica que deve mudar o modelo de negócios e promover a inovação. "Esse novo modelo é uma alternativa importante para solução à mudança climática, redução de resíduos e produção mais eficiente", disse Bomtempo. "Para a alavancagem da economia circular, é preciso considerar melhorias no acesso ao crédito, incentivos à inovação e melhoria de políticas públicas."

Rodolfo Viana, diretor-presidente da FEE. Foto: divulgação

A opinião é compartilhada pelo diretor-presidente da FEE, Rodolfo Viana. Para ele, ainda há pouco enfoque na concepção de produtos com maior ciclo de vida e mudança na mentalidade para a adoção do conceito na estratégia dos negócios. "A pesquisa detectou também que a grande motivação para a adoção desse novo modelo ainda é econômica, mas há também uma preocupação genuína com os impactos ambientais e com a escassez de recursos", destacou.

Viana, afirmou também que a pesquisa é um termômetro para começar a aquecer o debate da economia circular e da gestão do ciclo de vida dos produtos na sociedade. "É preciso começar a medir e tangibilizar os impactos gerados pelos produtos em todo o seu ciclo de vida para comprovarmos as vantagens do uso mais eficiente de recursos e da circularidade.”

O levantamento, que também contou com o apoio do Centro de Inovação em Economia Circular da Universidade de São Paulo (USP) e Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), ouviu profissionais de 22 indústrias e organizações que tratam do tema.

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