EDP e Eneva inauguram primeira estrada construída com cinzas de carvão

O Ceará ganhou, no início de agosto, a primeira estrada que reutiliza cinzas de carvão na pavimentação. O composto inovador é subproduto da geração de energia elétrica do Complexo Termelétrico de Pecém, composto pela UTE Pecém I (sob a gestão da EDP Brasil) e pela UTE Pecém II - administrada pela Eneva. As cinzas são usadas em duas camadas que formam a base da estrada. Em uma delas, vão substituir 50% de solo comum. Na outra, vão representar 95% da composição. É a primeira vez que esse tipo de aplicação é utilizado fora de ensaios laboratoriais.

A via possui extensão de 1,3 quilômetro e 12 metros de largura. O estudo para o desenvolvimento do composto iniciou-se em 2015 e conta com participação da Universidade Federal do Ceará. Ao todo, o projeto recebeu investimento de R$ 4,1 milhões. A estrutura receberá tráfego de caminhões com insumos, ônibus de transporte de funcionários e veículos particulares. O ganho ambiental ocorre pela utilização de cinzas do carvão (subprodutos da geração de energia) como matéria-prima.

Foto: Divulgação

“A inauguração dessa estrada deixa um legado e mostra que as atitudes da empresa justificam o reconhecimento, como o do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3. A substituição do solo natural na composição do asfalto traz ganhos ambientais e econômicos”, explica diretor de geração da EDP Brasil, Lourival Teixeira.

A principal possibilidade que se abre com a pesquisa e aplicação prática das cinzas de carvão como insumo asfáltico é evitar a exploração de jazidas naturais para extrair solo nativo, prevenindo a degradação ambiental. Além disso, a Universidade Federal do Ceará (UFC) vai elaborar um Manual de Uso contendo normas e instruções de serviço que servirão de apoio e incentivo à concepção de pavimentos com utilização das cinzas oriundas de termelétricas.

Em 2016, a unidade administrativa da UTE Pecém empregou aproximadamente R$ 5,8 milhões em estudos para investigar a adição desse resíduo à massa que forma os blocos de concreto utilizados na construção das paredes, na massa do meio fio e no calçamento externo da unidade - tanto nos passeios quanto nas pistas de circulação de veículos.

Desenvolvida em parceria a Universidade Federal do Ceará e Faculdade de Tecnologia do Nordeste (Fatene), a composição utiliza 95% de insumo tradicional e 5% de cinza. As peças pré-moldadas são feitas com adição de cimento e de uma série de outros componentes. Os agregados mais tradicionais são areia e pó de pedra. Nesse caso, uma parte desses materiais foi substituída pela cinza.

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