Ferramenta compara emissões de uso da terra e florestas

Uma nova iniciativa permite, pela primeira vez, comparar as emissões de carbono provenientes da mudança do uso da terra (tanto o desmatamento quanto a recuperação de florestas) do Brasil e de outros países. A ferramenta Climate Transparency Initiative (CTI) se soma às demais bases de dados do Carbon Tracker da ClimateWorks, que faz o acompanhamento detalhado das emissões do setor de energia, agricultura, resíduos e construção civil. A metodologia usada foi desenvolvida pelo Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, e relata apenas emissões líquidas.

O panorama atual revela que o Brasil emitiu 364 milhões de toneladas líquidas de CO2 vindas do uso da terra, enquanto os demais países analisados já estão capturando carbono neste setor: a China sequestrou 500 milhões de toneladas, a União Europeia 343 milhões, a Índia 41 milhões, o México 162 milhões e os EUA 783 milhões.

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Diante desse cenário, a CTI simulou quatro cenários futuros de emissões e um deles incorpora a implementação do Código Florestal - para auxiliar o Brasil na neutralização de suas emissões líquidas de gases de efeito estufa oriundos de uso do solo e florestas antes de 2020.

"A posição de emissor líquido de gases de efeito estufa gerados por atividades relacionadas ao uso do solo e florestas é um sintoma importante do atraso do Brasil na implementação das políticas de proteção das florestas. A implementação do Código Florestal, que poderia transformar o Brasil em sumidouro de carbono neste setor, tem sido recorrentemente postergada pelo Governo Federal", diz Gustavo Pinheiro, do Instituto Clima e Sociedade.

A comparação dos dados é fundamental para a descarbonização da economia global, estabelecida no Acordo de Paris. Ao possibilitar comparações de emissões de uso da terra com projeções, compromissos assumidos e cenários futuros, esta ferramenta do Carbon Tracker favorece o estudo, a pesquisa, colabora com consultores e profissionais envolvidos em atividades florestais e contribui para que a sociedade civil atue de forma mais efetiva junto aos governos para que levem em conta tais efeitos no desenho, implementação e monitoramento das políticas públicas.