Green building tem mais valor comercial, revela pesquisa

Os edifícios comerciais e residenciais estão entre os principais responsáveis pelas demandas de água potável nas grandes cidades. E, como se sabe, este recurso está cada vez mais escasso e caro. A boa notícia é que o movimento para a construção e retrofits de prédios sustentáveis está crescendo - e que isso é vantajoso não só para o meio ambiente, mas também para o bolso de quem investe.

Estudos realizados pela Universidade de Harvard e da Fundação Getúlio Vargas mostram que os edifícios LEED (o sistema LEED de certificação do U.S. Green Building Council é o programa mais importante do mundo para o projeto, construção, manutenção e operação de edifícios verdes) têm maior valor no aluguel do que os não certificados. Os green builds valem 136,54m2, contra R$ 98,41 dos não certificados. A vacância também conta: uma média de 7% menor do que as construções normais, segundo a Fundacão Getúlio Vargas.

Crédito/Foto: Divulgação

As vantagens não param aí. A pesquisa de Harvard mostrou que entre 2007 (data da primeira certificação no Brasil) e 2016, os ganhos financeiros atrelados à mudança climática e melhoria de saúde são significativos: US$ 251milhões em economia em energia, US$11 milhões em mudanças climáticas e US$ 86 milhões em redução de poluição, resultando em menos absenteísmo, gastos com consultas médicas, perda de dia de trabalho.

A água entra em cena

O movimento da construção sustentável é vantajoso não só economicamente. De acordo com Felipe Faria, diretor executivo do GBC Brasil e presidente do Comitê dos GBCs das Américas pelo World Green Building Council, o uso eficiente da água desponta como um dos principais temas, e de acordo com a experiência em mais de 1,3 mil projetos registrados e 500 certificados no Brasil trouxe para as edificações novas e existentes eficiências que podem até superar 60% na redução do consumo de água potável. "Isso contribui como uma solução importante para a gestão da demanda e da oferta de água nas cidades", afirma Faria.

Sem dúvida, o sistema de água de reúso é um dos grandes responsáveis por esta economia. De acordo com Fernando Pereira, diretor comercial da General Water, concessionária particular de água, cada empreendimento que reduz o seu consumo de água por meio do reúso disponibiliza um grande volume para a sociedade local e isenta a concessionária de investimentos adicionais para gerar mais água para atender a população. "Se apenas os 10 maiores consumidores corporativos da Sabesp tratassem o seu próprio esgoto e o reutilizassem para fins não potáveis (como processos industriais ou nos vasos sanitários), a água que eles deixariam de consumir seria suficiente para abastecer uma população de mais de 60 mil pessoas", diz Pereira.

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