Investidores globais fortalecem coalizão para deter desmatamento no Cerrado brasileiro

Sessão da Cúpula Global de Ação Climática, realizada na última quinta-feira (13), revela que investidores com mais de US$ 5,6 trilhões em ativos se uniram a uma coalizão de grandes empresas alimentícias para assinar uma Declaração de Apoio ao Manifesto Cerrado. Lançada em outubro de 2017, essa coalizão é hoje o maior grupo empresarial focado em interromper a conversão florestal no Cerrado.

Com mais de 100 signatários, a declaração pede que empresas da cadeia de valor da soja e da carne adotem políticas efetivas para deter mais desmatamentos na região do Cerrado - um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta. A região teve cerca de 50% de suas florestas e vegetação nativa convertidas em áreas agrícolas nos últimos anos. Uma das principais culturas associadas ao desmatamento do Cerrado é a soja - geralmente usada como ração pelo setor pecuário.

O apoio de investidores ao Cerrado cresceu nas últimas seis semanas, sob coordenação da FAIRR Initiative, criada pelo pioneiro em private equity, Jeremy Coller, CIO da Coller Capital. No total, 44 instituições de investimento que administram US$ 5,6 trilhões assinaram a Declaração de Apoio do Cerrado. Ela segue a trilha de crescimento da Iniciativa de Investidores para Florestas Sustentáveis uma colaboração entre a iniciativa apoiada pela ONU Princípios para o Investimento Responsável (PRI) e a organização norte-americana sem fins lucrativos Ceres, para fomentar o engajamento entre investidores e empresas expostas a riscos de desmatamento relacionados à produção de soja e gado na América do Sul.

Foto: divulgação

A coalizão do setor privado apóia o desenvolvimento da agricultura sustentável na região - como o uso de 38 milhões de hectares de terras agrícolas existentes disponíveis na região, onde culturas como a soja podem se expandir de forma sustentável sem causar mais perda de ativos florestais.

"De churrascarias a supermercados, o mercado global de alimentos depende do fornecimento sustentável de commodities relacionadas a florestas, como soja e óleo de palma. Os investidores estão preocupados com os riscos regulatórios, operacionais e de mercado criados pelo desmatamento em massa no Cerrado; e agora estão unindo forças com as principais empresas de alimentos para exigir desmatamento zero no Cerrado", destaca a diretora da FAIRR, Maria Lettini.

A FAIRR está particularmente preocupada com os riscos de desmatamento inerentes à cadeia de abastecimento global de proteínas. Em julho de 2018, lançou o Índice de Produtores de Proteína Coller FAIRR uma avaliação de como 60 empresas globais de pecuária e aqüicultura divulgam e gerenciam os principais riscos ESG, incluindo desmatamento e perda de biodiversidade. A avaliação da FAIRR descobriu que, apesar de a soja e o gado serem os principais responsáveis pelo desmatamento, 84% das empresas do seu Índice - fornecedoras de algumas das maiores marcas de alimentos do mundo - não têm metas ou políticas para lidar com o risco de desmatamento.

"O ritmo acelerado do desmatamento no Cerrado prejudica os ecossistemas ricos em biodiversidade e afeta os meios de subsistência dos agricultores locais. Essa convergência de riscos ambientais e sociais também ameaça o valor de trilhões de dólares em investimentos", completa Lettini.

A presidente da Green Century Capital Management, Leslie Samuelrich, mostrou empolgação em ver as empresas de alimentos participarem de um diálogo construtivo com traders de commodities locais e globais para trabalhar em prol de um futuro mais sustentável: " É muito encorajador ver investidores se unirem a varejistas, fabricantes, empresas de pecuária e ração para exigir desmatamento zero no Cerrado. O setor privado deve esforçar-se para impedir o desmatamento desnecessário, causado por práticas insustentáveis de produção de soja e gado, o que está prejudicando os esforços para combater a mudança climática global", comemora Samuelrich.

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