Mudanças climáticas mobilizam ministros das maiores economias

As negociações climáticas entre os países ganham novo impulso esta semana com as duas primeiras reuniões de alto nível deste ano sobre o tema. A primeira é o Diálogo sobre o Clima de Petersberg, que começou na última segunda-feira (18) em Berlim. Na sequência, a Reunião Ministerial sobre Ação Climática (MoCA) acontece nos dias 20 e 21 de junho, em Bruxelas, na Bélgica. Nelas, será possível avançar no consenso sobre uma série de questões relacionadas com Acordo de Paris.

As duas reuniões têm muitas semelhanças em termos de participantes e foco nas políticas climáticas internacionais, mas também há diferenças claras nos temas abordados e nos cenários concretos. Petersberg busca construir confiança entre os países e tem um perfil político de alto nível. Os palestrantes incluem a chanceler Angela Merkel da Alemanha e o primeiro ministro polonês Mateusz Morawiecki. Os diálogos serão seguidos por um encontro bilateral entre Angela Merkel e Emmanuel Macron que acontece nesta terça-feira (19), no qual o clima deve fazer parte da agenda. Já na MoCA, os ministros vão aprofundar questões técnicas.

O recente vazamento para imprensa de uma versão preliminar do relatório que o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) apresentará em outubro, mostrando que a meta de 1.5° C sinalizada no Acordo de Paris deve ser ultrapassada já em 2040, coloca pressão sobre os representantes governamentais reunidos nos dois encontros, uma vez que a vontade política tem se mostrado o grande obstáculo ao avanço para uma economia descarbonizada.

Foto: divulgação

A questão do financiamento climático também deverá ser abordada em Petesberg e em Bruxelas, já que este se tornou um ponto decisivo nas negociações do clima da ONU. Como estas reuniões oferecerão a primeira verdadeira discussão política sobre financiamento climático neste ano, grandes resultados não são esperados. Porém já há itens desta agenda colocados na mesa de negociação, tais como o fundo de US$ 100 bilhões por ano até 2020 anunciado na COP15, e o Fundo Climático do Clima (GCF), que pode exigir recursos adicionais para compensar a lacuna deixada pelos EUA.

"As finanças são muitas vezes percebidas como uma carta de confiança entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento. Mas o financiamento climático não deveria ser um campo de batalha política, já que é a principal alavanca para realmente proporcionar a transformação profunda e estrutural que nossas economias precisam para se tornarem resilientes e neutras em carbono", ressalta o Líder Internacional em Governança Climática do IDDRI (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais), David Levai.