ONU marca nova rodada de negociações climáticas para setembro

A ONU confirmou que as negociações climáticas deste ano terão uma intersessional a mais, programada para a semana de 3 a 8 de setembro em Bangcoc, na Tailândia. A rodada adicional de conversas visa avançar nas diretrizes que permitirão colocar o Acordo de Paris em prática, orientando nada menos que a transformação das economias dos 196 países signatários para o baixo carbono. O anúncio foi feito ao final da intersessional de Bonn, que encerrou na última quinta-feira (10), na Alemanha. Foram duas semanas de conversações para preparar o conteúdo a ser analisado e adotado na conferência climática anual, a COP24, a ser realizada em Katowice, na Polônia, em dezembro.

"Estou satisfeita que algum progresso tenha sido feito aqui em Bonn. Mas muitas vozes estão ressaltando a urgência de avançar mais rapidamente na finalização das diretrizes operacionais. O pacote que está sendo negociado é altamente técnico e complexo. Precisamos colocá-lo em prática para que o mundo possa monitorar o progresso na ação climática ", disse a secretária executiva da ONU Mudança Climática, Patricia Espinosa.

O grande destaque do encontro das últimas duas semanas na Alemanha foi o lançamento do Diálogo de Talanoa - conversas que visam o fortalecimento dos planos climáticos nacionais. Eles foram idealizados na COP23, presidida por Fiji, e incluem países, empresas, cidades, investidores e sociedade civil no debate sobre ações tomadas até agora e ações ainda necessárias para cumprir os compromissos climáticos assumidos sob o Acordo de Paris.

No idioma do arquipélago, Talanoa significa um processo tradicional de narração de histórias. Na UNFCCC, o processo tornou-se uma verificação da realidade na qual estamos em relação à ação climática. O diálogo aborda três questões: onde estamos, para onde queremos ir e como chegamos lá. A China sugeriu acrescentar uma quarta pergunta - de onde viemos? - para manter na mesa a questão das responsabilidades históricas. Mas isso não impediu que os Diálogos efetivamente infundissem um espírito de colaboração entre as partes. Mais de 700 histórias de luta e inspiração climática foram compartilhadas. Nas plenárias de terça e quarta-feira, muitos delegados disseram que sentiram uma dinâmica positiva proveniente do número de histórias inspiradoras compartilhadas, de pedidos de urgência a soluções práticas e transformacionais. O espírito de confiança e solidariedade de Talanoa e a energia alavancada por este formato inovador impactaram toda a sessão de trabalho.

Muitos países e partes interessadas não-estatais expressaram sua expectativa de que o Diálogo de Talanoa seja agora traduzido em um resultado político que levará os países a intensificar suas promessas climáticas até 2020. Entre os que aumentaram essa expectativa estão as delegações da União Europeia, os Pequenos Estados Insulares (AOSIS), o grupo dos Países Menos Desenvolvidos, um grupo de oito países do Caribe e da América Latina (AILAC), os 43 países mais vulneráveis ??às mudanças climáticas (CVF) e Fiji, que ocupou a presidência da COP23.

"O Diálogo Talanoa forneceu uma imagem ampla e real de onde estamos e estabeleceu um novo padrão de conversação", disse o presidente designado da COP24, Michal Kurtyka da Polônia. "Agora é hora de sair desta fase preparatória do diálogo para preparar sua fase política, que acontecerá na COP24", acrescentou.

Mas, se Talanoa surpreendeu positivamente, os debates sobre o livro de regras que permitirá a implementação do Acordo de Paris não avançaram o suficiente. A conferência fez progressos especialmente sobre as regras comuns para a análise global, a revisão de 5 anos dos esforços climáticos dos países que desencadearão maior ambição (mecanismo de ambição). Surpreendendo positivamente muitos observadores, as partes concordaram, na noite de quarta-feira, em dar aos co-presidentes o mandato de reconciliar suas posições em um texto que servirá como base comum para a próxima rodada de negociações em Bangcoc.

Outro ponto que deixou a desejar foi o financiamento climático. As conversas sobre como os doadores fornecem informações antecipadas sobre financiamento climático para o mundo em desenvolvimento não foram conclusivas. "O Diálogo de Talanoa mostrou que mais ambição nos próximos anos é tanto necessária como possível e que os países precisam, até 2020, apresentar NDCs aprimorados para 2030. Mas a falta de financiamento climático suficiente se tornou evidente em Bonn", analisa Rixa Schwarz, Líder de Equipe da Política Climática Internacional da Germanwatch. "O financiamento climático é necessário para a ambição dos países em desenvolvimento na mitigação e na gestão dos impactos climáticos não evitáveis", completa.

Para Mohamed Adow, líder internacional do clima da organização Christian Aid. "O silêncio sobre dinheiro espalha entre os países pobres o medo de que seus pares mais ricos não levem a sério suas promessas. Esse financiamento não é apenas uma moeda de barganha, é essencial para a entrega dos planos nacionais que compõem o Acordo de Paris. Para que o Acordo de Paris seja um sucesso, precisamos que a COP de Katowice seja um sucesso. E para que a COP de Katowice seja um sucesso, precisamos de garantias de que as fontes de financiamento virão".

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