Carbocloro se destaca como primeiro consumidor livre do mercado de energia

No início de 1999, a Carbocloro resolveu estudar a opção de migrar sua unidade de produção química em Cubatão, litoral paulista, do mercado cativo para o ambiente livre. A empresa, atendida pela distribuidora Bandeirante e cujo consumo equivalia ao da cidade de Santos (SP), decidiu apostar nesse caminho para reduzir o custo do principal insumo, cujo peso nas suas contas chegava a 40% e somava naquela época cerca de R$ 60 milhões.

Foto: Página Sustentável

“Fomos as cobaias. Não tínhamos conhecimento algum de como fazer isso. Tivemos de inventar todo o caminho. Regulação até havia, mas era um mercado fechado, hermético. Eu lembro de falar para as pessoas que iria comprar energia de outro fornecedor e elas não conseguiam entender como eu faria isso. Não havia essa mentalidade. Esse foi o primeiro grande conceito que tivemos de mudar. E os fornecedores também estavam acostumados com o monopólio. Semear essa nova cultura foi difícil, mas interessante”, relembrou o então vice-presidente da empresa, Mario Cilento, em entrevista à revista Brasil Energia.

Foram seis meses de negociações envolvendo viagens entre São Paulo, Cubatão, Brasília e Curitiba, sede da comercializadora Tradener e Copel, concessionária que poderia fornecer energia à empresa de soda-cloro. O acordo inédito deixou algumas distribuidoras preocupadas em perder mercado, o que levou agentes a questionarem a decisão na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “A liberação do consumidor não foi automática nem pacífica. Instaurou-se um processo de mediação administrativa na Aneel, que, sem obter consenso entre os envolvidos, remeteu a decisão para uma reunião conjunta dos agentes, diretor-ouvidor e o diretor-geral. Nesse dia, houve a decisão histórica a favor do mercado livre”, comentou o primeiro diretor-geral da agência reguladora, José Mario Miranda Abdo.

A negociação finalmente foi concluída em 17 de novembro de 1999, quando a Carbocloro anunciou que tinha fechado acordo de cinco anos para fornecer 55 MW no horário de ponta e 92 MW no restante do dia com a paranaense Copel, que expandia suas fronteiras e forneceria energia para a unidade da empresa em Cubatão. Poucos dias depois, o segundo contrato do mercado livre no Brasil foi assinado: a Volskwagen passou a comprar 18 MW da Copel por cinco anos para sua unidade de Taubaté, em São Paulo.

“Ninguém sabia direito o que fazer com aquele contrato, pois tudo era novidade: consumidor livre, Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE), a própria Bandeirante, Aneel e Copel. Em alguns momentos, nós, da Tradener, pensávamos em desistir de tudo aquilo, pois era uma burocracia infernal, que não chegava em lugar nenhum”, afirmou o presidente da Tradener, Walfrido Ávila.

Leia esse texto na íntegra 20 Anos do Mercado Brasileiro de Energia Elétrica.

 

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