Com financiamento via crowdfunding, Solar21 quer instalar mais de 400 placas solares em 2019

O mercado de fontes renováveis de energia no Brasil possui um grande espaço de crescimento. Enquanto nos Estados Unidos são mais de 1,6 milhão de residências com sistema de energia solar instalados, segundo a National Renewable Energy Laboratory (NREL), no Brasil são apenas 35 mil, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) – apenas 2,2% do mercado norte-americano. Além disso, as placas fotovoltaicas correspondem a 1% da matriz energética nacional.

Disposta a ampliar e democratizar o acesso à energia solar no Brasil, a Solar21, empresa de aluguel de placas fotovoltaicas, conseguiu levantar capital semente suficiente para desenvolver novos projetos em 2019. Os recursos foram obtidos por meio de financiamento coletivo, chamado equity crowdfunding.

Foto: Página Sustentável

Em julho, a startup iniciou a rodada pública no Kria, maior plataforma de equity crowdfunding do país. Em menos de quatro meses, o projeto atingiu o sucesso ao passar da meta mínima e captar R$ 450 mil. A rodada terminou no início de dezembro e a empresa conseguiu alcançar o valor máximo de R$ 650 mil.

Com o valor levantado, a Solar21 vai instalar, via contratos de aluguel, 134 kWp (quilo watt-pico, medida de potência energética), distribuída em seis prédios entre Bahia e Distrito Federal. O sistema é capaz de gerar cerca de 200 MWh (megawatt-hora) por ano, o suficiente para atender o consumo de energia de 100 casas do país e evitar a emissão de mais de 100 toneladas de CO2 por ano. Além disso, proporciona uma economia de R$ 8 mil por torre.

A empresa também irá desenvolver um aplicativo com tecnologia própria, o “My Solar21”, para monitoramento da energia gerada pelas placas fotovoltaicas. Com ele, o usuário consegue acompanhar pelo celular a quantidade de energia solar produzida e o seu consumo.

O objetivo é conseguir novas fontes de investimento para o próximo ano. A startup está finalizando um projeto com a Vesta Partners, empresa especializada em estruturação de capital de startups, para o programa Inovacred, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculado ao Governo Federal.

A meta é instalar 750 kWp ao longo de 2019, o que equivale a 50 prédios com 15 kWp cada, por meio do desenvolvimento de uma “mini distribuidora de energia” com tecnologia agregada. Além disso, terá uma central de monitoramento para visualizar as plantas de aluguel das placas fotovoltaicas em tempo real para garantir a disponibilidade de energia solar.

“Queremos democratizar o acesso à energia solar no país. Com a instalação do sistema fotovoltaico por aluguel, é possível reduzir a conta de energia elétrica, mesmo sem ter um capital inicial para investir. Uma oportunidade para quem quer economizar, e claro, ainda contribui para o futuro do planeta ao emitir menos gases do efeito estufa”, explica Vinícius Ferraz, CEO da Solar21.

Uma das apostas para o próximo ano da startup, é o trabalho com escolas e instituições de ensino. Neste ano, a startup fechou contrato com o Colégio Divina Providência, tradicional escola do Rio de Janeiro, que comprou as placas solares e iniciou a instalação. Para estimular o novo tipo de consumo, a empresa pretende colocar uma estação de carregamento de celular para que os alunos possam ver como o sol realmente é capaz de produzir eletricidade.

“Acreditamos muito que este projeto do colégio Divina Providência será uma maneira de abrir as portas para o setor educacional, tanto escolas como universidades, com um trabalho específico voltado à conscientização do uso de energia solar no Brasil. Queremos gerar uma verdadeira “onda solar” no segmento educacional”, destaca Vinicius.

 

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