IPT elabora diretriz para avaliação de tubulações produzidas com polietileno reciclado

A utilização de polietileno de alta densidade reciclado, proveniente de resíduos pós-indústria e pós-consumo, em tubulações corrugadas para a drenagem de águas pluviais está se tornando uma realidade no Brasil. Isso porque, em projeto junto à Tigre-ADS, quatro laboratórios do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) trabalharam no desenvolvimento de um documento que serviu de referência técnica para incluir uma diretiz com requisitos, critérios de desempenho e métodos de avaliação técnica do produto.

O Sistema Nacional de Avaliação Técnica (Sinat) é um dos projetos do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), integrado à Secretaria Nacional da Habitação do Ministério das Cidades. O escopo do Sinat consiste na harmonização de procedimentos para a avaliação de novos produtos para a construção. Assim, uma diretriz Sinat é um documento de referência técnica que estabelece procedimentos para avaliação de produtos inovadores (que ainda não possuem normas brasileiras), incluindo requisitos e critérios de desempenho, bem como métodos de avaliação técnica.

A diretriz Sinat n°13 prevê, inicialmente, a utilização de tubos produzidos com polietileno reciclado apenas em empreendimentos privados. Foto: Divulgação

Atualmente, a maioria das normas brasileiras de tubos plásticos permite apenas a utilização de resina virgem e material reprocessado originado de processo próprio de produção. A elaboração de uma diretriz no âmbito do Sinat tem justamente o objetivo de avaliar o produto, que é inovador na cadeia nacional, já que não existem normas técnicas prescritivas específicas aplicáveis a ele.

“O uso de polietileno reciclado em tubulações corrugadas já é uma realidade para a empresa ADS, que produz estes tubos nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, existe uma desconfiança no uso de material reciclado na construção civil, por conta de experiências anteriores que foram mal conduzidas”, explica a pesquisadora do Laboratório de Instalações Prediais e Saneamento do IPT, Simone Nakamoto. “Esse estudo quebra paradigmas pois estabelece, no Brasil, parâmetros de matéria-prima, qualidade, resistência, desempenho e instalação de um produto de construção civil com percentagem de material reciclado”, completa Daniel Setrak, responsável pelo laboratório.

O estudo durou um ano e envolveu pesquisas e visitas técnicas, a fim de conhecer tanto o processo produtivo dos tubos no exterior quanto na planta de produção brasileira, além da realização de diversos ensaios em amostras produzidas com diferentes percentagens de polietileno reciclado. O projeto envolveu também o Laboratório de Componentes e Sistemas Construtivos, o Laboratório de Análises Químicas e o Laboratório de Processos Químicos e Tecnologia de Partículas.

A diretriz Sinat n°13 prevê, inicialmente, a utilização de tubos produzidos com polietileno reciclado apenas em empreendimentos privados. As empresas interessadas em fabricá-los devem passar por auditorias que garantam sua capacidade e conformidade de produção, além de submeter seus produtos aos ensaios estabelecidos na diretriz.

“O processo é rigoroso porque se trata de um produto inovador, que precisa comprovar sua qualidade e confiabilidade no setor. No IPT, vários laboratórios trabalham com esse processo de inclusão de produtos e sistemas inovadores na construção civil. Especialmente nesse caso, embora a matéria-prima reciclada seja mais barata, a produção exige mais engenharia, o que explica o acompanhamento do processo produtivo e o rigor das especificações”, completa Setrak.

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