Metrô de São Paulo abastece estações com água subterrânea

A tenebrosa crise hídrica que atingiu São Paulo, de 2014 a 2016, e outros estados brasileiros, despertou o interesse da ViaQuatro (empresa que opera a Linha 4 - Amarela do Metrô) a fazer um estudo sobre o abastecimento subterrâneo de água potável nas dez estações. No período de março de 2018 até maio de 2019, foram poupados aproximadamente 41.300 m³ de fornecimento da rede pública da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

A equipe de engenharia que acompanha as obras da Estação Vila Sônia, prevista para entrar em operação no segundo semestre de 2020, identificou poços artesianos com grande vazões (15 m³/h) na região - suficiente para suprir as necessidades do Pátio Vila Sônia e as estações (Morumbi, Butantã, Pinheiros, Faria Lima, Fradique Coutinho, Oscar Freire, Paulista, Higienópolis, República e Luz) da Linha 4. Após análise da água, o diagnóstico revelou que é de excelente qualidade, necessitando apenas de pré-cloração, filtração e controle de pH.

Túnel da ViaQuatro, Linha 4 - Amarela.
Foto: Divulgação

No auge da crise hídrica, a Sabesp informou que indústrias, hospitais e condomínios (consumidores com contratos de demanda firme) continuariam sendo abastecidos. “O estudo teve motivação quando a Sabesp informou que o Metrô não teria prioridade caso a crise continuasse”, diz a coordenadora de Engenharia da ViaQuatro, Camila Rabassa.

Para atender as exigências estabelecidas pelo Ministério da Saúde, a ViaQuatro implementou uma Estação de Tratamento de Água (ETA) no Pátio Vila Sônia. O sistema de tratamento convencional tem três etapas: pré-cloração (onde são adicionados produtos químicos através de bombas dosadoras acionadas automaticamente que visam corrigir o pH e desinfetar a água do poço); filtração (os sólidos com menor peso especifico são retidos neste processo); e verificação do cloro para garantir a segurança sanitária e o padrão de potabilidade da água.

O transporte de água que se mostrou viável para o projeto foi tubulações (com elevada resistência mecânica, térmica e química) no túnel. De acordo com a empresa, alternativa adotada é de fácil manutenção, controle e operação automatizada do sistema de abastecimento.

A rede parte do reservatório do Pátio Vila Sônia, desenvolve traçado superficial até a entrada do túnel de via - por onde segue fixo na parede do túnel por toda a extensão da Linha 4 até a Estação da Luz, totalizando 12.590m de extensão. Na entrada dos reservatórios superiores de cada estação há um clorador de linha, para garantir a qualidade da água reservada e distribuída em cada estação de embarque.

O projeto ficou entre os 15 finalistas (categoria Sustentabilidade) da 25a. Semana de Tecnologia Metroferroviária, realizada de 3 a 6 de setembro, em São Paulo, pela Associação de Engenheiros e Arquitetos de Metrô (Aeamesp), em parceria com a Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos). Com a iniciativa, o sistema de válvula de três vias (instalado no Pátio Vila Sônia) é acionado de forma automática quando necessário o abastecimento, secundário, da Sabesp.

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