Recuperação de áreas degradadas é uma das medidas para a meta brasileira de redução de emissões de gases até 2030

 O Brasil tem até 2030 para restaurar 12 milhões de hectares de florestas para cumprir parte da meta assumida no Acordo de Paris, durante a COP21, de reduzir 43% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs) nos próximos 14 anos. A Fundação Espaço ECO (FEE) acredita que uma das soluções está na restauração florestal, mas para seu sucesso, é necessário contribuir para o retorno da biodiversidade as áreas restauradas, para a qualidade do solo e para o manejo sustentável das propriedades - desde que aprovado pelo Código Florestal na região onde a atividade acontecerá.

Embora as árvores sejam o elemento que define a fisionomia de uma floresta, outras formas de vida como ervas, cipós e epífitas, fazem parte deste ecossistema tão complexo. Plantar árvores é o primeiro passo para se restabelecer a estrutura de uma floresta.

“Se não houver regeneração natural de árvores e destas outras formas de vida na área restaurada, o restabelecimento das interações entre fauna e flora e até mesmo a perpetuação a longo prazo deste ambiente pode ficar comprometida. Com o passar dos anos e à medida que a influência humana aumentou, algumas áreas perderam seu potencial de regeneração. Precisamos mudar o cenário e contribuir ainda mais para a conservação das florestas”, afirma Tiago Egydio, consultor em Conservação Ambiental da Fundação Espaço ECO.

Na prática, o sucesso das ações de restauração está associado ao aproveitamento do potencial de auto regeneração de onde se pretende restaurar. É preciso realizar um diagnóstico para conhecer este potencial e somente após esta avaliação deve ser decidida qual metodologia é a mais adequada para restaurar determinada área. Escolher a metodologia de restauração correta é importante, pois, esta visa romper as barreiras que impedem a recuperação da área.

Em áreas onde o potencial de auto recuperação é baixo, se faz necessário introduzir, por meio do plantio de mudas ou sementes, as espécies pretendidas para colonizar o espaço. Onde este potencial é alto, as metodologias de restauração devem priorizar a regeneração já existente no local e em práticas como a condução da regeneração, que visa estimular o desenvolvimento dos indivíduos regenerantes já existentes, como por exemplo, pela adubação e coroamento. Outra possibilidade é pela nucleação, que visa proteger e isolar uma área específica, fazendo o controle dos fatores que impedem a sua regeneração, introduzindo elementos, como sementes, poleiros e até refúgios para animais, que atraem outras espécies que dispersam sementes de outras localidades, criando condições para que novas populações regenerem na área.

“Por isso é fundamental que o responsável pelo projeto tenha conhecimento sobre estas técnicas. Hoje o plantio de mudas é a mais difundida por conta da quantidade de viveiros existentes e pela maior demanda de restauração estar em localidades com baixo potencial de regeneração. Contudo, esta prática necessita de intenso acompanhamento e existe um custo relativamente elevado”, informa Tiago Egydio.

Um exemplo de iniciativa de restauração que apresentou retorno de biodiversidade em uma Área de Preservação Permanente (APP) restaurada é o Programa de Educação e Conservação Ambiental Mata Viva. Três propriedades rurais localizadas nos municípios de Araraquara, Bebedouro e Nuporanga (SP), que contaram com apoio da iniciativa registraram 52 espécies de abelhas e 178 espécies de pássaros. O número de espécies registradas é bastante significativo para áreas restauradas, considerando-se que existem cerca de 750 espécies de abelhas e 792 de aves registradas em todo o estado de São Paulo.

“Nos próximos anos o Brasil terá um enorme desafio, mas temos diversas possibilidades e conhecimento para isso. Basta ter o cuidado necessário sobre os participantes em cada projeto e interesse pela qualidade destes projetos de restauração. Estamos falando de algo para toda a sociedade”, conclui o consultor em Conservação Ambiental da FEE, Tiago Egydio.

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