Relacionamento com comunidade indígena é um desafio, mas também oportunidade para construção de uma agenda positiva

Ao decidir, na década de 90, instalar a fábrica de celulose numa região com forte presença de comunidades indígenas Pataxós e Tupinambás, a direção da Veracel tinha poucas informações sobre como lidar com essas comunidades. “Não existe uma fórmula pronta para interagir com as comunidades tradicionais, principalmente indígenas. A construção de um bom relacionamento com essas comunidades é fundamental para a operação de qualquer empreendimento”, avalia Eunice Britto, da Etno Consultoria, especializada em assessoria voltada ao relacionamento com as comunidades locais e tradicionais localizadas em área de atuação de empreendimentos, além de delegada de Direitos Humanos do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH).

Tribo Pataxó durante os jogos indígenas.
Foto: Divulgação

Regidos por uma legislação própria, a consultora aponta que ao entenderem as peculiaridades e necessidades das comunidades indígenas, as empresas dão um grande passo para uma convivência pacífica. “Relações com comunidades tradicionais vão além da instalação de projetos sociais, condicionantes de licenciamentos ambientais e princípios norteadores de certificações. Os índios querem que sua cultura e seus direitos sejam respeitados. Do contrário, é certo que possíveis conflitos sejam instalados. Em face a este processo é que se faz necessário o engajamento e o relacionamento contínuo, culturalmente apropriado e realizado por colaboradores capacitados”, alerta Eunice.

Foi no longo processo de construção que a Veracel conseguiu estabelecer o diálogo e a manutenção contínua desse relacionamento. “Credibilidade e confiança se conquistam com o tempo”, diz o diretor de Sustentabilidade e Relações Corporativas, Renato Carneiro. Ele conta que, no começo, os índios enxergavam a empresa como um invasor no território, mas esse cenário foi mudando aos poucos quando a Veracel estruturou a forma de interagir com eles. “Fizemos um mapeamento das aldeias, identificamos as lideranças de cada uma delas e começamos a dialogar, buscando uma relação íntegra, transparente e ética. No momento em que você cria essa identificação e eles percebem que a alta gestão está comprometida e aberta ao diálogo, essa situação muda”, avalia.

Na área onde a Veracel atua existem cerca de 25 mil índios. São 29 aldeias Pataxós e três aldeias Tupinambás, duas comunidades bastante expressivas que demandam uma série de necessidades, como educação, serviços de saúde, assistência na agricultura, entre outras, que nem sempre são atendidas pelo estado.

Promoção de saneamento básico das aldeias e incentivos à preservação e ao resgate da cultura destas comunidades tradicionais, como instalação de kigemes (centros culturais) e apoio aos jogos indígenas, também estão no escopo de investimentos da empresa.

Outra linha de ação é voltada para as atividades agrícolas. “Temos apoiado projetos de irrigação nas comunidades; instalação de hortas comunitárias; viveiro para produção de mudas; projetos de fruticultura, piscicultura, entre outros”, enumera Carneiro. 

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