Votorantim Cimentos aprimora matriz energética com resíduos urbanos

O Brasil produz anualmente mais de 78 milhões de toneladas de resíduos urbanos e cerca de 41% do volume de lixo coletado no país é descartado em local inadequado, segundo levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Empresas de diversos setores têm investido, em tecnologias inovadoras, para aproveitar todo potencial energético dos resíduos na fabricação de produtos de alto valor agregado, atender a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e enviar para aterro sanitário somente aquilo que não pode ser aproveitado, o rejeito.

Eduardo Porciuncula, gerente geral de Combustíveis Alternativos da Votorantim Cimentos, explica 
a importância do coprocessamento para a indústria cimenteira durante a visita técnica na fábrica Salto do Pirapora (SP).
Foto: Alessandra Felix 

Hoje, 96% do lixo brasileiro ainda é destinado para aterro enquanto a taxa de reciclagem em outros países atinge 60%. Entre as tecnologias para recuperação energética de resíduos estão coprocessamento, incineração, pirólise, gaseificação e digestão anaeróbica para produzir biogás, eletricidade e calor. 

A Votorantim Cimentos inovou com a instalação de dois fornos (1500 °C a 2000 °C) de coprocessamento na fábrica de Salto de Pirapora (SP), para transformar os materiais inutilizados na reciclagem em Combustível Derivado de Resíduo (CDR). Muito utilizado em países da América do Norte e Europa, o CDR na indústria cimenteira é fabricado - através de um processo térmico - para reduzir o coque de petróleo na produção do clínquer. A cada tonelada de CDR, menos 2 toneladas de CO2. 

A iniciativa de transformar parte do lixo coletado em Piracicaba e Sorocaba (interior de São Paulo) para produção de cimento, na fábrica Salto do Pirapora, iniciou em 2018. A unidade utilizou no período de testes para licenciamento 17,9 mil toneladas de CDR, o que significa 5,3% na substituição de coque. Em 2019, veio a grande conquista: licença ambiental definitiva para utilizar o combustível e processar 65 mil toneladas/ano.

“Essa tecnologia traz vantagens ambientais, sociais e econômicas, tanto para a empresa quanto para as comunidades onde operamos. O coprocessamento diminui a emissão de gases que causam o efeito estufa, reduzem o volume de lixo que vai para os aterros sanitários e contribui para a economia circular ao potencializar a cadeia de reciclagem. E ainda auxiliamos as cidades a dar uma destinação correta aos resíduos urbanos”, comenta o gerente geral de Combustíveis Alternativos da Votorantim Cimentos, Eduardo Porciuncula.

No Brasil, 14 fábricas da empresa fazem coprocessamento para operar com combustíveis alternativos e os resíduos, de acordo com a região, são os mais diversificados: casca de arroz, cavacos de madeira, coco babagaçu, serragem e caroço do açaí são biomassas utilizadas para geração de CDR, além de pneus. Em 2018, a companhia obteve um índice de substituição térmica de aproximadamente 30%.

* A jornalista visitou a fábrica Salto de Pirapora a convite da empresa.

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