Índice de reciclagem no Brasil ainda é baixo

O governo de Brasília encerrou oficialmente as atividades do lixão da Estrutural no final de janeiro. O que poderia parecer um fato isolado ganha nova proporção se notarmos que o local fechado pela capital brasileira era, simplesmente, o maior lixão da América Latina. Sua operação data da fundação da cidade, em meados da década de 1960. Independente do novo destino para os resíduos de Brasília, os aterros sanitários por si só não resolvem a forma como encaramos o nosso lixo e a reciclagem de resíduos.

De acordo com os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil possui 2.976 lixões em atividade. A Bahia é o estado com maior número ainda em operação, com 359 áreas; o Maranhão vem em segundo, com 250 e Minas Gerais é o terceiro, com 246. Apenas 13% dos resíduos sólidos urbanos vão para a reciclagem e a pesquisa revela que 18% dos municípios brasileiros possuem coleta seletiva de resíduos.

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Atualmente, apenas 14% das embalagens de plástico são coletadas para reciclagem. Outros 14% são incinerados. Dos 72% não recuperados, 40% vão para aterros e 32% são perdidos, muito provavelmente por descartes ilegais

O isopor, por exemplo, é um resíduo com baixo índice de reciclagem por apresentar em sua composição 98% de ar, o que dificulta seu transporte em grandes quantidades por conta do espaço que ocupa. Atualmente, apenas 34.5% do isopor pós-consumo no Brasil é reciclado.

Para melhorar esse cenário, a catarinense Santa Luzia é uma das empresas que firmou parceria com quase 140 cooperativas pelo Brasil para receber resíduos de poliestireno expandido (isopor) e poliuretano (muito usado no revestimento de geladeiras). Até 2016, a empresa reciclou mais de 30 milhões de kg de isopor – se a matéria-prima ainda fosse madeira, este valor equivaleria cerca de 100 mil árvores.

A solução encontrada pela Santa Luzia foi criar pontos de compactação e distribuição deste material, reduzindo os resíduos em pequenas partículas para facilitar seu transporte. A rede, além da matriz, se distribui em Joinville (SC), Imbituba (SC), Taubaté (SP) e Bezerros (PE).

Outras empresas como Walmart, Williams Sonoma e NutriSystems adotaram iniciativas de reciclagem de poliestireno expandido difundidas. A Subaru implementou um programa internacional de reutilização de isopor, atingindo cerca de 20 reúsos por unidade, economizando US$ 1 milhão em custos de embalagem.

EM BREVE:

Conferência Logística Reversa, Reciclagem e Gerenciamento de Resíduos, 6a. edição