Começa em Bonn encontro climático decisivo

A mais importante reunião preparatória para a Conferência das Partes da Convenção Clima deste ano começou na 2a feira, em Bonn, e segue até o final da próxima semana. Na pauta, o Diálogo Talanoa, arena de debates desenhada para os países se comprometerem a aumentar seus esforços de combate ao aquecimento global. A reunião é tida como crucial para o avanço do Acordo de Paris. Além de Talanoa, a reunião tem que gerar um texto sólido para o Livro de Regras do Acordo de Paris, que precisa ser fechado na COP deste ano, em dezembro. O texto deve estabelecer as regras para a contabilidade e o relato das emissões e das ações que estão sendo tomadas pelos países, de modo que estas possam ser comparáveis e possam ser somadas.

Analistas dizem que as divergências que fizeram desandar o Protocolo de Quioto estão reemergindo. Os países ricos acusam os outros de tentar retomar as velhas "responsabilidades comuns, porém diferenciadas" para fazer menos pelo clima. Por outro lado, muito pouco foi efetivamente disponibilizado por estes mesmos países ricos ao fundo de US$ 100 bilhões anuais prometido como ajuda aos mais pobres para a mitigação de suas emissões e para a preparação ao enfrentamento dos impactos do clima. A grande lição do clima - a de que muita gente levará uma vida pior por causa do aquecimento global - não parece ser grande o suficiente para suplantar os eternos interesses particulares.

Excepcionalmente, a revista Nature publicou um oportuno editorial apropriadamente intitulado "O calor está batendo" (Feeling the heat) fazendo um apanhado das recentes ondas de calor e secas que se tornarão mais fortes e mais frequentes, atingindo desde a pobre Somália, passando pelos conflitados Síria e Afeganistão e chegando até à rica Califórnia. O editorial diz que "mais pesquisa é necessária para mitigar contra e adaptar ao aumento quase inevitável de ondas de calor e secas".

Vale também dar uma espiada na matéria da Vox que resume em três gráficos nossa situação perante o Acordo de Paris. O primeiro mostra as tendências possíveis de aumento de emissões e, portanto, da temperatura; segundo os autores, a maior probabilidade no momento, é de uma elevação de 3oC. O segundo mostra o crescimento do consumo de energia por fonte; por mais que as renováveis estejam crescendo, as fósseis crescem mais. E o último traça as emissões de gases de efeito estufa por país. Dá para ver claramente os papéis decisivos da China e da Índia na contenção deste aumento.

http://pagina22.com.br/2018/04/27/teste-de-ambicao-para-o-acordo-de-paris/ 

https://www.washingtonpost.com/business/technology/climate-experts-in-bonn-seek-to-make-paris-climate-deal-work/2018/04/30/08f431be-4c55-11e8-85c1-9326c4511033_story.html

http://www.bbc.co.uk/news/science-environment-43949423

https://www.nature.com/articles/s41558-018-0169-y

https://www.vox.com/energy-and-environment/2018/4/30/17300946/global-warming-degrees-replace-fossil-fuels

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