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Engenheiro explica a questão dos siloxanos em biometano

A questão dos siloxanos virou um tabu no que tange ao aproveitamento do biometano na rede de gás natural e no uso automotivo do biometano no Brasil. Ele foi uma das razões principais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) não autorizar, a princípio, a injeção de biometano na rede de gás natural na sua primeira resolução referente ao tema. Ainda hoje, a Agência está revendo a sua posição e estudando autorizar, mediante uma análise de risco por parte do produtor, o uso de biometano dessas fontes. A ANP se utiliza do valor mais restrito da normativa da União Europeia como limite.

A respeito desse tema, o colaborador da Página Sustentável, Marco Tsuyama Cardoso, conversou com o engenheiro do Centro de Pesquisas Tecnológicas da Scania, Magnus Fröberg, sobre a questão dos siloxanos no biometano.

De acordo com o engenheiro, a questão dos siloxanos e seu impacto nos motores e turbinas existe, mas as formas de tratamento e upgrade (pelo menos os usados na Suécia) dão conta de reduzir os siloxanos aos limites estabelecidos pela norma europeia - que é de 0,3 a 1 mg/m3. Segundo ele, essa ampla referência é devido ao fato de que os siloxanos devem ser analisados pela média contida no gás e não pela quantidade absoluta. Os siloxanos, inclusive, não são prejudiciais se forem ocasionais, ainda que em quantidades maiores. O que danifica motores e equipamentos é uma quantidade de siloxano superior e constante no gás combustível usado no equipamento.

Mantido o limite superior da norma europeia tanto para injeção de biometano na rede como para uso automotivo, mesmo se verificado de forma constante, não chega a danificar motores, mas pode danificar sensores de catalizadores de alguns veículos. A maioria de catalizadores tem um sensor anterior a ele capaz de aceitar 1 mg/m3, e outro sensor posterior capaz de aceitar apenas 0,1 mg/m3 de siloxano, mas o catalizador reduz o efeito do siloxano nesse sensor. Com o limite de 0,3 mg/m3, o sistema funciona bem a menos que, em alguns carros, os sensores mais sensíveis (que aceitam apenas 0,1/mg/m3) são colocados juntos dos primeiros, ou seja, antes dos catalizadores. Para esses carros específicos, o limite maior, de forma constante, acaba por danificar o sensor.

O engenheiro ainda ressalta que se o biometano for colocado em fração pequena do volume total do gás distribuído, o efeito é desprezível. O monitoramento seria mais necessário em caso de uso absoluto do biometano como combustível, como ocorre na Suécia em que não há rede de gás natural e há o uso direto do biometano nos motores de caminhões e ônibus.