ANA aponta vulnerabilidades em aquíferos da bacia do São Francisco

A Agência Nacional de Águas (ANA) lançou, na última quarta-feira (7), em Campinas (SP), o estudo Hidrogeologia dos Ambientes Cársticos da Bacia do Rio São Francisco para a Gestão de Recursos Hídricos. De acordo com o levantamento, as regiões de Montes Claros e Jaíba (MG) e de Irecê e Lapão (BA) retiram mais água subterrânea com poços tubulares do que a natureza é capaz de repor, gerando um déficit hídrico subterrâneo. Além disso, as duas regiões já enfrentam problemas de abastecimento e estão suscetíveis à poluição de suas águas subterrâneas.

Com isso, o estudo apresenta alternativas para contornar estas situações e focaliza principalmente três áreas-piloto: a bacia do rio do Vieira, na região de Montes Claros; a bacia do riacho do Juá, próxima a Irecê; e a bacia do rio São Desidério, que fica ao sul de Barreiras (BA). Para cada uma delas, a ANA indica ações de gestão específicas para auxiliar os órgãos gestores estaduais no planejamento do uso e ocupação do solo e na gestão de águas subterrâneas – no Brasil as águas subterrâneas são gerenciadas pelos estados, o que inclui a autorização para perfuração de poços.

Foto: divulgação

A área do estudo abrange centenas de municípios mineiros e baianos, principalmente Montes Claros, Sete Lagoas e Jaíba, em Minas Gerais; e São Desidério, Irecê e Lapão, na Bahia. Em muitos deles o abastecimento depende exclusivamente das águas subterrâneas retiradas por meio de poços tubulares. Pelo caráter estratégico do recurso como reserva futura de água para a região, a ANA apresenta um prognóstico sobre a retirada de água dos aquíferos cársticos entre 2020 e 2030. No norte de Minas, por exemplo, cidades como Montes Claros e Jaíba já passam por restrições hídricas causadas pela seca do rio Verde Grande.

O levantamento também inclui uma série de dados de 2015 a 2030 sobre as demandas de água para os principais usos que a consomem na região: irrigação, abastecimento humano, dessedentação de animais e indústria. Para todas as regiões estudadas pela ANA, o relatório indica a necessidade de cadastramento de poços existentes e a criação de uma rede de monitoramento qualitativo e quantitativo das águas subterrâneas, entre outras medidas, para que os estados possam realizar uma gestão sustentável dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos.

O estudo Hidrogeologia dos Ambientes Cársticos da Bacia do Rio São Francisco para a Gestão de Recursos Hídricos também aponta como os órgãos gestores estaduais podem integrar ações setoriais e de recursos hídricos. Na Bahia e em Minas Gerais, por exemplo, as instituições que gerenciam as águas superficiais e subterrâneas são respectivamente o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam).

A Agência chegou a estas recomendações a partir de dados históricos de chuvas e vazões, associados às características das águas e do solo da bacia. Além disso, o levantamento define regiões com potencialidades hídricas e aponta restrições de uso da água em regiões específicas, que devem ser consideradas para a gestão dos recursos hídricos.

O foco nos aquíferos cársticos é devido à característica que eles têm de permitir uma infiltração da água mais rápida e um maior armazenamento do recurso. Ao mesmo tempo que este tipo de aquífero permite um melhor aproveitamento das águas subterrâneas, ele também é mais vulnerável à contaminação. Os sistemas cársticos também alimentam rios por meio de nascentes e contribuem para a recarga dos aquíferos mais profundos.

O estudo tem como principal objetivo ampliar o conhecimento hidrogeológico, que relaciona água e geologia, sobre os sistemas aquíferos cársticos da Região Hidrográfica do São Francisco. Com este tipo de informação, o trabalho oferece subsídios para a gestão integrada e compartilhada dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos da região.

O levantamento também focaliza a geologia dos aquíferos cársticos e físsuro-cársticos, recarga dos aquíferos e balanço hídrico, reservas hídricas e avaliação da disponibilidade hídrica e relação dos aquíferos cársticos com o Sistema Aquífero Urucuia, um dos principais da região. Além disso, o estudo aborda a contribuição dos aquíferos para o rio São Francisco, características hidroquímicas, vulnerabilidades dos aquíferos e avaliação da relação entre a disponibilidade e a demanda nas áreas piloto.

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